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A Datilógrafa do Rés do Chão

A Datilógrafa do Rés do Chão

13
Abr21

Meu amor, acordei ferida

Coletânea de Cartas

Filipa Pinto

 

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27 de Março de 2018

Meu amor,

Acordei ferida. Aquela dor dilacerante no peito que me acompanha e perfura sempre que vislumbro os teus olhos nos meus sonhos abriu-se durante a noite. Sonhei que conversávamos de mãos dadas na esplanada de um café e te contava todas as aventuras e desventuras do meu percurso até agora. E tu, sorrias para mim com esses dentes perfeitos, e rugas de expressão que os meus dedos conhecem tão bem. Ouvias-me como só tu sabes fazê-lo, fazias-me perguntas entusiasmado em saber quem esteve na minha vida durante a tua ausência. Se me fizeram feliz, se me senti mulher em toda a minha plenitude e como eu merecia, se os amei tanto como te amo, o que aprendi depois de partirem e se o sentimento foi mais forte.
 

 

05
Abr21

A Nódoa de Café

Parte 1

Filipa Pinto

 

o comboio majestoso.jpg

Começou por me perguntar as horas, mas a princípio não percebi que se estava a dirigir a mim. O vento gelado de uma típica manhã cinzenta de Novembro chicoteou-me a cara com uma brutalidade só conhecida pelos madrugadores da cidade e, embora o silêncio pairasse sobre a estação ferroviária escura de Santa Apolónia, a minha mente exausta e entorpecida pelo frio ainda vislumbrava a pilha de papéis deixada ontem na secretária de madeira do escritório da Polícia Judiciária. Repetiu novamente a pergunta e, desta vez, consegui elaborar uma resposta dando uma espreitadela ao meu relógio de pulso.

- São 4 horas e 45 minutos – respondi da forma mais educada possível, tendo em conta o meu estado fatigado, embora sem olhar uma única vez para a voz rouca e masculina que me abordara. 

Absorta nos meus pensamentos, comecei a remexer na mala à procura do bilhete e de um cachecol de caxemira azul marinho para cobrir o pescoço em pele de galinha.

 

 

03
Abr21

Inimigos Sem Rosto

Parte 1

Filipa Pinto

 

www.theodysseyonline.com

Tinha acabado de pousar a chávena de porcelana em cima da mesa de cabeceira, quando uma aragem gélida entrou de rompante pela janela aberta do quarto de Inês. A brisa marítima do Rio Tejo acariciou o seu rosto e, com agrado, inspirou-a suavemente até sentir o sabor adocicado da água na sua boca. Naquela noite estava um céu estrelado livre de qualquer nuvem agoirenta.
Afastou a manta estendida em cima das pernas e decidiu levantar-se, dirigindo-se até à sala onde se encontrava a sua mãe Helena. Deparou-se com ela dormitando tranquilamente encostada para trás na velha poltrona do seu pai. Tinha a televisão acesa numa das suas telenovelas preferidas. Aproximou-se.
- Mãe, não vais para a cama? – perguntou abanando-a levemente de forma a obter uma resposta sem a sobressaltar. Estava um silêncio absoluto na divisão e Helena não deu sinais de a ter ouvido, apesar de murmurar algumas palavras impercetíveis. Inês curvou-se para a frente a fim de a conseguir ouvir melhor.
- Leonardo, Leonardo, onde estás? – murmurou Helena num tom aflitivo.

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