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A Datilógrafa do Rés do Chão

O blog pessoal, os contos e as reviews de uma cabeça no ar assumida, amante de livros, séries, pintura acrílica e escrita.

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Expectativa versus Realidade

06.04.21

Expectativa versus Realidade

por A Datilógrafa do Rés do Chão

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De forma mais ou menos consciente, criamos uma imagem das pessoas que nos rodeiam, principalmente daquelas com quem temos mais afinidade e mantemos uma relação de amizade próxima. Esta imagem idealista é formada, não só pelo que nós observamos e analisamos no outro, mas também por uma perceção individual nossa. E, quando a perceção que temos juntamente com os dados que recolhemos, colide com aquilo que as pessoas realmente são, começa o processo da expetativa versus realidade. Iniciado o processo, debatemo-nos com o resultado duro que daí advém.

Não sei o que é mais difícil, aceitar a desilusão como um facto consumado e realista de um processo que foi iniciado pelas expectativas e análise erradas que fizemos de outra pessoa ou o facto de não o aceitarmos e debatermo-nos contra isso, culpando o outro por nos ter falhado, quando na verdade quem teve uma imagem deturpada da realidade fomos nós.

É infinitamente mais fácil de culpar alguém pelo fracasso dos nossos próprios julgamentos, do que aceitar esse fracasso como parte integrante de um erro cometido por nós.

A verdade é só uma: esperamos sempre mais dos que amamos com mais intensidade. Esperamos mais, porque os escolhemos. Dentro de um conjunto de possibilidades infinitas, escolhe-mo-los para fazerem parte da nossa vida. E, cada vez que o nosso julgamento de caráter falha, é infinitamente mais doloroso do que se fosse com outra pessoa qualquer. Não os amamos menos por isso, mas algo muda de forma definitiva dentro de nós e a maneira como os olhamos nunca mais é a mesma.

A magia perde-se e a realidade nua e crua fica como uma poeira que teima em se manter num dia de calor intenso, mesmo após todo o cuidado e limpeza que tivemos com a superfície, ela volta. Teimosa, avassaladora e cruel para nos lembrar de que nada nem ninguém é exatamente como nós julgamos ser.

 

 

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